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Santaolalla recusou fazer trilhas sonoras para outros jogos porque não encontrou nada igual a The Last of Us, revela

“Eu sabia que se alguém se conecta emocionalmente com os jogadores, seria uma grande mudança neste mundo dos videogames. Ofereceram-me projetos de empresas importantes, mas não era o que tinha que ser.”

Não há palavras que possam descrever a trilha sonora de dois dos jogos mais aclamados de todos os tempos. The Last of Us e The Last of Us Part II, lançados em gerações diferentes, tiveram como responsável por compor e tocar as músicas por trás dos principais momentos dessa jornada, o vencedor do Oscar, Gustavo Santaolalla.

Em entrevista para o Los40, o músico criador também da trilha sonora de El Cid, série da Amazon, um de seus trabalhos mais recentes, falou sobre como foi requisitado para criar trilhas para games, após ganhar dois Oscars por Brokeback Mountain (2005) e Babel (2006).

“Depois do Oscar, fui abordado por várias propostas de videogame.” revela. “Eu não sou um jogador, mas tenho um filho que já cresceu e foi um grande jogador, e eu sabia que se alguém se conecta emocionalmente com os jogadores, seria uma grande mudança neste mundo dos videogames. Ofereceram-me projetos de empresas importantes, mas não era o que tinha que ser. Até que conheci Neil Druckmann e ele me contou como era o The Last of Us, como ele o concebeu e o que queria. Tem muita gente que chora jogando o jogo, e nas mesmas partes. E não fiz outro porque não encontrei nada igual.”

Questionado sobre como continuar trabalhando na obra – criando as músicas da parte 2, contribuíram para a sua carreira, disse ser muito importante o fato de poder expandir as fronteiras do que ele pode fazer com a música, de forma que a música possa servir como mais um instrumento de comunicação. Santaolalla fala sobre barreiras quebradas pelo jogo da Naughty Dog.

“No ano passado tive a oportunidade de ir a uma convenção de videogame no Kuwait e tive um momento de autógrafos e vi todas essas mulheres totalmente cobertas, que nem dá para apertar a mão delas e que são jogadoras. Imagino o que deve significar para elas estar nesses videogames onde possivelmente têm mais liberdade do que na vida real. Geograficamente me deu muitas possibilidades e criativamente foi muito bom porque me deu a oportunidade de continuar experimentando com a coisa americana, mas de outro ângulo. Como em Brokeback Mountain, Eu sei que Atahualpa Yupanqui está na música dele, ele está nesses silêncios, eu sei disso. É uma coisa diferente do que se um norte-americano nascido no Texas tivesse feito isso.”

Ainda na entrevista ele diz ser terrível jogando, “sempre corro contra a parede”, e que somente há um ano, tem uma vitrine com o Globo de Ouro, os Baftas e os Grammys que ganhou, mas que o Oscars fican em uma bolsa.

Gustavo Santaolalla também está encarregado de criar a trilha da série de TV de The Last of Us da HBO, prevista para 2022.

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